A seca dos nossos “hermanos” é um problema para o milho e para a soja do Brasil e do mundo? Ou é só “catimba” do mercado, tal como ocorre no futebol? A turma “alvoroçou”…

1) COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO

Continua a dúvida da arroba: para onde eu vou? Há praças com leves ajustes positivos (SC, PA, TO e AC), enquanto outras apresentam leves ajustes negativos (SP, MS e PR), porque perderam máximas (dados Scot). A média Brasil segue o cenário de estabilidade, mas vê enfraquecida a chance de uma arrancada (é o tal: “alto para carpir e baixo para roçar”).

Mesmo com oferta para abate não abundante em nível Brasil, a indústria fica reticente em pagar mais do que “a baliza vigente” (principalmente as não exportadoras). A recuperação de consumo, ainda que esteja ocorrendo, tem sido lenta (a venda de carne continua decepcionando, notadamente o traseiro, de modo que este final de mês veio sofrido mesmo). As indústrias esperam que a oferta de boiadas engordadas a pasto possa aumentar, mas por outro lado, a oferta de vacas para abate, dá sinais que pode ser afetada em 2018 por um índice de prenhes maior, como temos alertado (isto já está ocorrendo em Goiás). Com o avançar da safra de capim, seria normal vermos esta melhora de oferta de bois. Temos que ver a contrapartida do aumento de consumo para evitar uma pressão na arroba. O mercado externo está indo bem, mas o interno tem que fluir melhor.

2) RECADO DA “MÃE DINAH”

“De onde mais se espera, geralmente é dali que vem mesmo! A concorrência para a carne bovina, por parte do frango/suíno, tem sido implacável há tempos. E deve continuar terrível no curto prazo. Olho atento para o da ‘canelinha amarela’ e o ‘ex-gordinho’, ok”?

3) BEEFRADAR (TERMÔMETRO DA GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA)

25% queda 45% estabilidade |30% alta

4) HORA DO QUILO

Lembra-se da Mãe Dinah sugerindo compra do seguro da alta para o milho? Está neste Front: https://nf2r.com.br/noticias/arroba-o-fim-da-pressao/ . Para cara R$ 1 investido neste seguro, o mercado já retorna R$ 7, em três semanas, ou seja, uma taxa de 1.239% A.M.!!! Hora de realizar o lucro?

5) TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL

“Meu janeiro e fevereiro é sofrido. Eu saio do boi de confinamento e caio direto no boi da transição para o pasto”. Esta frase é de um cidadão que presta serviço de acompanhamento de abate. Há muitos relatos de rendimento de carcaça baixos, de modo que ele fica espremido entre a indústria e o pecuarista. Nesta semana ouvi relatos de elevada procura por novilhas para abate, tanto em GO, como no MS. A novilha está querendo ganhar frente no abastecimento do mercado interno, ao invés do macho inteiro, especialmente o oriundo na transição confinamento–pasto. Tudo a ver! Sem esquecer que toda regra tem sua exceção!

6) BOITOGRAFIAS DA SEMANA

Tem capa de jornal que fala tudo sem nenhuma palavra! Parabéns ao Jornal Estado de Minas”!

7) O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA

Nesta última semana, palestrei no Encontro de Confinadores da Premix, onde tive mais uma oportunidade de palestrar/conversar com o Ricardo Amorim e com o AMB (agradeço a empresa pela honra da oportunidade). Vou compartilhar o que aprendi com ambos, mas em função da “catimba do milho e da soja hermana”, vou começar pelo AMB:

* “No nosso passado recente, tivemos ciclos mundiais espetaculares de produção de commodities, frutos das benesses de São Pedro e da tecnologia. Isto é uma sequência rara. Tivemos boa estabilidade de oferta. Coincidentemente, tivemos uma demanda mais amena. Agora a demanda mundial volta a aquecer, tanto é que as commodities energéticas e minerais já aqueceram em 2017. Este aquecimento tende aquecer as commodities agrícolas no seu devido tempo. Elas ainda não se aqueceram, mas isto deve ocorrer”;

* “Os EUA estão tendo a maior produção de proteína animal da história. Isto ocorre em boa parte dos produtores, a exemplo de Rússia e China (com suínos/aves). O Brasil está na mesma linha”;

* “Nosso consumo de carne bovina está se recuperando. Depois de cair de 36 kg/hab/ano para 26 kg/hab/ano em 2017, deveremos retornar para 30-31 kg/hab/ano em 2018. Só o ovo escapou da pior crise econômica da nossa histórica”;

 

* “Deveremos ter um PIB acima de 3% em 2018, com desemprego caindo para 10%, inflação estabilizando na casa de 3.5 a 3.7% e juros de 6.5% aa. Caso consigamos eleger um presidente reformista, estaremos diante de uma chance histórica do ponto de vista econômico. Em caso positivo, consolidaremos o retorno do mercado interno. A eleição é um viés a ser esclarecido. O ano de 2018 é uma ‘guerra ganha’. Mas 2019 em diante é uma guerra a ser resolvida. A perspectiva sobre os próximos anos melhorou muito, mas nada está garantido. Do ponto de vista da demanda externa, estou bem otimista”;

* “Uma preocupação bem forte que eu tenho é o mercado externo relativo ao suíno e frango. Está sobrando carne suína no mundo (ex.: a Rússia se tornou autossuficiente). O alojamento no Brasil está acima do que deveria. As carnes alternativas, nossas concorrentes, estão em desequilíbrio: cuidado. Vejo problema por pelo menos mais dois meses”;

* “Com relação à soja, tivemos um bom estoque de passagem, mas a demanda global está muito boa. Nos últimos dois anos, nossa logística de exportação melhorou e um problema na Argentina tem potencial para mexer um pouco com o nosso mercado, sim”;

* “Quanto ao clima, temos uma La Niña dissipando. Este padrão climático confere boas chuvas no nosso cerrado/norte, além de seca no sul do Brasil e na Argentina. Estamos migrando para um padrão de neutralidade. Teoricamente, teremos um potencial climático bem razoável para a safrinha. Isto pode não se confirmar, mas é o que os dados apontam. O plantio, apesar de atrasado em relação a 2017, só preocupa mesmo no Paraná. O MS, MT e até o GO já recuperaram. Temos que considerar que 2017 foi um ano perfeito para plantio”;

O cenário de risco da Argentina existe, e deve ser definido completamente nas próximas três semanas. Em resumo, apertou o cenário do Brasil em função da Argentina, inclusive para a soja, pois ela exporta farelo, que agora vai ter que sair do Brasil. Isto tem potencial de enxugar oferta e produzir sustentação de preço para a oleaginosa do Brasil também. As próximas semanas devem continuar o aquecimento da soja daqui. Com relação aos EUA, a área de soja não vai aumentar e o potencial clima seco/frio pode dar um pouco de estresse também. Os fundos já diminuíram a posição vendida em Chicago. Nossas previsões apontam, no final das contas, um estoque de passagem potencialmente menor no final deste ano”;

* “Com relação ao milho, temos um cenário de alerta, pois apertou sim, mas cuidado: é muito exagerado considerar que não teremos safrinha no País. No Paraná, está muito apertado mesmo e isto preocupa porque a Argentina não abastecerá o sul e este milho teria que vir do Paraná. Portanto, para SC e o RS, o alerta é bem maior. Mas, temos que ter calma. Só precisamos 25 a 40% das lavouras para plantar safrinha. Se a safrinha vier dentro das previsões (15% abaixo de 2017), estaremos com ótimo estoque de passagem de novo. Mas, a oferta de safrinha só entra mais para frente, em ago/set. Portanto, pode começar a faltar e apertar o preço, até a disponibilidade de milho safrinha realmente ser ofertada ao mercado. Em resumo: a Argentina é um problema para o Brasil, mas não para o mundo, em termos de grãos”;

* “O algodão deve representar alívio, devido ao tamanho da safra. A demanda tende a ser firme por ingredientes para confinamento”;

* “Quem não se posicionou com grão de 2017, já está no risco, de qualquer forma. Os meus clientes já estão com tudo em casa”;

* “Quanto ao boi, eu gosto desta curva do mercado futuro e, portanto, sou vendedor dela. A oferta vem crescendo, de bezerro, fêmea e boi gordo e em algum momento o futuro pode ceder pelo ciclo de oferta. Considero uma boa estratégia ‘pôr para dentro’ este resultado, dependendo dos seus números hoje”.

Sua cabeça ferveu? O melhor (e único) sonífero é ter definidos os seus custos e a margem desejada, além de um sistema de produção que lhe dê previsibilidade de venda. Com isto em mãos, é só checar o que o mercado futuro lhe oferece e se proteger. Simples assim. Caso contrário você pode cair na “catimba” argentina e tomar um cartão vermelho do mercado. Até a próxima semana!

 PAINEL DE BORDO

(VARIAÇÃO SEMANAL DOS INDICADORES DE MERCADO)