“Quem não recorda o passado (e/ou não se atenta ao seu presente), está condenado a repeti-lo”! A magistral frase de George Santayana (irresponsavelmente adaptada por mim), nos remete aos números, afinal, eles são o melhor diagnóstico do nosso passado/presente. São justamente os números que compõem o excelente raio-x, tema central deste Front.

1) COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO

O mercado fala com a gente. Tem momentos que ele usa o aramaico e tem momentos que ele usa o português. Ele nos diz agora: “para onde eu vou”? Ele está em dúvida se sobe ou se estabiliza. O atacado permitiu extinguir a pressão de baixa, mas “engazopamos” no meio de mês. Formamos um piso importante (no físico e futuro), mas a alta patina, neste momento. O BeefRadar reduz a chance de queda, carregando a estabilidade. Há grande heterogeneidade/ especulação no mercado.

A exportação vai indo bem, a matéria-prima (boi gordo) não está “derramada” de jeito nenhum (escala curta é um cenário bem comum), mas falta o mercado interno dar sinais mais fortes de aquecimento. A maior parte das praças do BR manteve a estabilidade com leve viés positivo (Painel de Bordo). As exceções são o PA/TO, que subiram mais forte e o sul da BA/RJ que tiveram quedas, segundo dados da Scot Consultoria.

2) RECADO DA “MÃE DINAH” E DO “WALTER MERCADO”

“A cada chuva no Centro-Oeste, centavos nos preços futuros do milho se acumulam, numa alta bem importante. A indústria está apostando que tem boi de pasto para sair, mas no fundo, gostaria de saber se tem mesmo (ou se o pecuarista está “retendo o que não tem”). O pecuarista aposta no pasto, para a venda compassada. Pouco interesse na compra/venda e a ‘sinuca de bico’ continua. Se as vacas ralearem, o boi fica beeeemm mais animado para subir”.

3) BEEFRADAR (TERMÔMETRO DA GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA)

15% queda 45% estabilidade |40% alta

4) HORA DO QUILO

Nos últimos 15 dias, assisti palestras dos economistas Ricardo Amorim e Alexandre Schwartsman. As opiniões de ambos convertem bem, mas a habilidade de palestrar, não. Mas, sobre o mais importante: para ambos, o 2018 é um “gato no balaio” (PIB de 3% ou mais, é “líquido e certo”). A grande diferença de opiniões está na extensão das boas novas: Amorim considera mais provável um período de crescimento mais extenso, mesmo com a incógnita eleitoral. Já o Alexandre fica bem reticente com o nosso cenário, colocando um enorme ponto de interrogação de 2019 em diante, em função da política, sobre a qual ele está bem mais inseguro que o seu colega.

5) TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL

Iniciativa muito importante. Faria apenas algumas pequenas ressalvas no vídeo, mas o #AgroKids urge:

https://www.youtube.com/watch?feature=share&v=2DmtaYC30CE&app=desktop

6) BOITOGRAFIAS DA SEMANA

A frase é de uma “vendinha” vegana do aeroporto. Mas é sobre medida para a carne bovina!

7) O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA

O Front está acima de marcas porque visa a melhoria da gestão/relacionamento comercial entre os elos da cadeia. Toda iniciativa nesta direção é muito bem-vinda! Desta forma, destacamos, a pesquisa da Tortuga/DSM com pecuaristas, divulgada nesta última semana em Campinas/SP, por ocasião com ISVIT2018, um excelente evento para técnicos de todo o Brasil, do qual tivemos a honra de participar. Obs.: agradeço a autorização para publicação do seu conteúdo aqui. Maiores informações podem ser solicitadas junto aos canais da própria empresa. Vou citar abaixo em frases, alguns números interessantes. Bom proveito e reflexão sobre os mesmos… Como foi dito no início: o conhecimento de nosso passado/presente, revelado pelos números, é o fator catalisador para direcionarmos nosso futuro a um status superior. São eles:

 

  1. A pesquisa foi feita com 2.406 fazendas de pecuária de corte, cobrindo 8.1 milhões de há e 6.3 milhões de bovinos (0.9 milhões confinados). As propriedades têm tamanhos variados, sendo todas acima de 500 há e localizadas em : MT, MS, PA, GO, BA, PR, MG, SP, RS, TO, MA, SC, AL e ES;
  2. Sobre o uso de suplementos nutricionais: 75% afirmam usar sal mineral; 57% usam suplemento proteico 1g/kg PV; 39% usam suplemento proteico-energético 3g/kg PV; 36% usam suplemento mineral com ureia; 20% usam núcleo mineral para diluir na Fazenda; 17% usam creed-feeding;
  3. 62% afirmam usar aditivos nos suplementos nutricionais (o mais usado é a monensina, com 70% das respostas);
  4. 43% afirmam não fazer manejo rotacionado dos pastos. Estes que não fazem, afirmam que o motivo de não usar a técnica é: 42% dizem faltar estrutura de aguada e cochos; 25% dizem ser elevado o investimento em cercas; 20% citam a baixa qualidade da mão de obra; 13% não percebem vantagens;
  5. Quanto a reprodução: 39% afirmam fazer estação de monta; 30% afirmam usar IATF; 11% usam ressincronização na IATF; 10% usam monta natural o ano todo; 9% usam IA; 2% usam TE/FIV;
  6. Quanto a gestão: 17% afirmam não fazer controle de custos e receitas. Os 83% que fazem, usam como ferramenta para a tarefa: 50% excell; 27% caderneta; 12% software especializado; 11% extrato de banco;
  7. Quando perguntados sobre “qual o seu principal indicador zootécnico”: 47% dizem ser “@/cab/ano”; 38% relatam ser “@/há/ano”; 13% outros; 3% não sabem dizer;
  8. Quando perguntados se “utilizam ferramenta de comercialização de animais”, eles disseram: 58% nenhuma; 15% outra; 14% boi a termo; 8% leilão; 3% BMF;
  9. Os pecuaristas foram perguntados sobre os principais desafios do setor. Os desafios (listados em ordem decrescente, ou seja, do maior desafio para o menor desafio), foram: 1. preços recebidos pela produção; 2. Custos de produção; 3. Falta de mão de obra capacitada; 4. Políticas públicas; 5. Pressões ambientais, trabalhistas e fiscais; 6. Infraestrutura e logística; 7. Assistência técnica; 8. Controle financeiro; 9. Plano de sucessão; 10. Insegurança (invasões, demarcações e roubos); 11. Escassez e dificuldade de crédito; 12. Estrutura societária

Ficam algumas perguntas que se fossem feitas para mim, por um E.T., eu teria dificuldade em responder. Por exemplo:

  1. Se “preço” é a maior preocupação, porque apenas 17% usam ferramentas de proteção (17% é o somatório dos que dizem usar a BMF e o boi a termo)?
  2. Se “custo de produção” é a segunda maior preocupação, porque quase 40% controlam via extrato bancário/caderneta (ferramentas rudimentares para a empreita)?
  3. Porque apenas 38% pensam na produção por hectare, ao invés da produção por cabeça?
  4. Porque 43% dizem não fazer um uso mais intensivo dos pastos, se a arroba produzida eficientemente em pastagem é a via de produção mais barata (do mundo)?
  5. Porque a gestão produtiva está sempre bem mais “a frente” da gestão administrativa, se o verdadeiro negócio do pecuarista é fazer dinheiro? Obs.: entendemos que a gestão desequilibrada (foco centrado apenas no aspecto produtivo, como deixam claro as respostas) acaba deixando da atividade com o seu risco aumentado, tornando o resultado financeiro mais distante e incerto…

Resumo tudo numa frase do mestre Warren Buffet: “o que conta para a maioria das pessoas na hora de investir, não é o quanto elas sabem, mas sim, como realisticamente elas definem o que não sabem”. No nosso caso (pecuária de corte): nós sabemos o que nós sabemos (aspecto produtivo). Mas nós não sabemos o que nós não sabemos (aspecto gerencial). A nossa extrema dificuldade em nos autoconhecer, é o nosso principal desafio! Desenvolver esta habilidade é o início da solução! Até a próxima semana!

 

PAINEL DE BORDO

(VARIAÇÃO SEMANAL DOS INDICADORES DE MERCADO)